Brasil COPA DO MUNDO E SUAS CONTRADIÇÕES

COPA DO MUNDO E SUAS CONTRADIÇÕES

25/06/2014 00h57

Uma das cidades sede da Copa do Mundo, Brasília mostrou ontem seu total despreparo em termos de mobilidade urbana. Dispensados do trabalho às 12h30 a maioria dos trabalhadores levou de três a quatro horas para chegarem às suas casas. Engarrafamentos quilométricos (como o da EPGU que chegou a 13km), acidentes e muita confusão.

O Brasil é considerado o país do futebol e com certeza as pessoas gostariam de ovacionar o fato de estarmos sediando uma copa do mundo. No entanto, não dá para deixar de fazer algumas reflexões sobre como a falta de organização, de administração e o descaso fazem parte do dia-a-dia dos brasileiros. Tudo isso, torna inaceitável os gastos que foram realizados com a finalidade de receber a copa do mundo, em detrimento a atenção aos problemas das grandes cidades brasileiras.

Brasília, assim como a maioria das capitais não tem a mínima mobilidade urbana. E não se observa em nenhuma capital do país um sistema de transporte público desejável e que atenda as especificidades da sua população. Em Brasília as medidas adotadas são as duplicações de estradas. Quando o governo consegue duplicar uma pista, a frota de carros já quadruplicou, e o que resta são cenas de profundo desrespeito aos cidadãos.

Constatar que a sétima economia do mundo não consegue oferecer o mínimo de qualidade de vida a sua população deveria envergonhar a Câmara Distrital o Governo do Distrito Federal e demais governos das capitais do país, assim como a Presidência da República. É inconcebível que não consigam disponibilizar transporte alternativo para os seus cidadãos.

A maioria dos carros paga aos cofres públicos de R$ 1.000,00 a 5.000,00 (mil a cinco mil reais), por ano; relativos a Impostos sobre a Propriedade de Veículos Automotores – IPVA, além das pomposas multas de trânsito é claro. São recursos que deveriam ser investidos em projetos de transportes alternativos.

Os políticos não pensam nas dificuldades da população, não se interessam pelos problemas do povo, mas deveriam apresentar idéias para o trânsito e outros problemas do Brasil. De outra sorte, a sociedade ainda não aprendeu a cobrar dos que são pagos para pensar os problemas sociais.

A Lei 12.587 de 3/1/2012 instituiu as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana que prioriza o transporte público e coletivo sobre o individual motorizado. No entanto, as iniciativas de melhoria do transporte público em Brasília e nos Estados são pífias e não produziram resultados.

A população, principalmente em Brasília, continua sendo incentivada a comprar carros, e cada vez mais há dificuldades de deslocamento, além dos acidentes de trânsito que no Brasil matam mais que a guerra.

Na véspera das eleições espero, que haja uma reflexão por parte da sociedade no sentido de que a reposta aos governantes seja dada nas urnas. Que os escolhidos para representar o povo na Câmara dos Deputados, no Senado e na Presidência da República sejam indivíduos que tenham um projeto político destinado a melhorar setores críticos da sociedade como saúde, educação e a mobilidade urbana no país.

por Márcia Maria da Silva, Psicóloga e servidora pública para O MIRACULOSO

Comentários