DF Violência policial em Brasília: mulheres e crianças primeiro (e um jornal para abafar o caso)

Violência policial em Brasília: mulheres e crianças primeiro (e um jornal para abafar o caso)

03/03/2013 16h12

Violência policial em Brasília: mulheres e crianças primeiro (e um jornal a seu favor)

Ontem o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) desocupou pacificamente o edifício abandonado em Taguatinga, cumprindo sua parte do acordo. Os manifestantes saíram em marcha rumo à Praça do Relógio, mas ao realizarem um ato simbólico de comemoração e resistência atravessando e parando momentaneamente o trânsito do Pistão Sul, foram agredidos pela polícia, que lançou spray de pimenta indiscriminadamente, atingindo crianças de 1 a 7 anos de idade. Policiais do sexo masculino agrediram mulheres com cacetete, e pessoas idosas também foram atingidas.

Independente da razão, esse foi o fato: mulheres e crianças agredidas pela polícia mais bem paga do país. O Correio Braziliense assume o risco de publicar em matéria sobre o fato que, segundo a PM, os manifestantes usaram crianças como escudo. Mas que credibilidade pode ter uma matéria que se refere ao MTST como “MSTS” ao longo de todo o texto? Além disso, a reportagem subestima a inteligência de seus leitores ao dizer que o local da ocupação se tratava de um “prédio em construção”. Ora, qualquer brasiliense sabe por seus próprios olhos que aquela estrutura está abandonada há décadas, é feia, e é assombrada por histórias de estupros, desova de objetos furtados e coisas piores.

A reportagem do Correio veicula ainda a mentira mais lavada de toda a história – a história de que o prédio velho e ultrapassado será uma faculdade. Essa é uma mentira tão deslavada que nem Paulo Octávio, o dono do aglomerado de prédios de luxo que fica em frente ao local, acredita. Aquilo é um beco sem saída. Qualquer jornal minimante comprometido com a investiagação da verdade admitiria isso. Um monstrengo de cimento que não é bom para shopping, não é bom para faculdade, não é bom para transformar em apartamentos, e é tão grande que nem bom para demolir ele é. O esqueleto abandonado perdeu sua melhor chance de ressureição ao dizer adeus às famílias que não se importariam em construir seus domicílios naquele espaço esquisito.

No final dessa história, o que o Correio não diz pra você é que esse movimento organizado de cidadãos e cidadãs trabalhadores que lutam por moradia e dignidade foi valente. Enfrentou a decisão judicial e conseguiu à força um acordo com o governo para que desocupassem o prédio. Nesse acordo, ao contrário do que insinua o Correio, o movimento não foi egoísta, e reivindicou direitos que se estendem a toda a população do Distrito Federal que não tem casa própria e nem renda suficiente para arcar com os aluguéis inflacionados da cidade. O projeto de lei reivindicado pelo movimento e apresentado à Câmara pelo GDF, se for aprovado, trará dignidade a todas as famílias que sofrem na penúria de não ter onde morar, e com isso, toda a cidade será beneficiada. Mas esse tipo de coisa, o Correio não diz pra você...

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