Universidade A NOVA UNIVERSIDADE DA PARIDADE

A NOVA UNIVERSIDADE DA PARIDADE

16/04/2012 18h45

A NOVA UNIVERSIDADE DA PARIDADE

Eu confesso a minha imensa decepção com meus colegas professores, com minha geração de "professores da UnB" (como fazemos questão de, orgulhosamente repetir, como se o título melhorasse os nossos atos, automaticamente), por terem decidido rechaçar, entre nós mesmos, docentes, a eleição paritária.Lamento, porque essa alegre rejeição é feita, essencialmente, a partir de argumentos antigos demais, autoritários demais, ultrapassados demais. Pior que isso, sem a menor demonstração de que a Universidade só está ainda a fazer um bom papel diante do Brasil e de Brasília, devido a cruciais ações dos seus próprios estudantes.Em uma grande assembléia da ADUnB, nos idos de 2008, quando os professores se uniram para defender ferrenhamente o ex-Reitor Timothy Mulholland (porque ele, afinal, era ou é um "professor", um "par", que deveria ser respeitado, mesmo que não respeitasse o cargo e a própria Universidade), ficou claro que o nosso corpo de docentes decidira se opor às corajosas ações do Ministério Público, que questionava os atos daquela gestão universitária. Sem a menor vergonha, docentes (membros ativos das Fundações de Apoio, centro do escândalo) discursavam CONTRA as investigações que apontavam irregularidades naquela gestão, e gritavam: "A Universidade Não Pode Ser Investigada!" ... "A Universidade Está Acima de Qualquer Suspeita" ... "O Ministério Público Não Manda Aqui", entre outras imbecilidades, atiçadas por um corporativismo de baixíssimo nível.Esses professores deram uma lição de incivilidades a todos nós. Essa cultura de um corporativismo que também defende a impunidade e a improbidade patente nos atos de "colegas professores", que deseja tornar a Universidade "Uma República Dentro da República", é totalmente destrutiva da própria Universidade, de sua moral, de seu intelecto, de sua elevada função crítica. Esses são os que sucateiam e destróem a Universidade, com uma capacidade superior a de qualquer governo corrupto e privatista. São os que corrompem "de dentro para fora", que usam a Universidade para seu enriquecimento pessoal.Graças aos estudantes conseguimos a saída de Mulholland, que permanece um "morto-vivo" na memória da UnB: não é enterrado, não é exumado (apesar das "cartas abertas" de algumas "viúvas de Mulholland", que gritam para todos os que o atacaram, que peçam desculpas, que peçam perdão, pois Mulholland é um inocente, dado que não é culpado), não é honrado nem desonrado. É, sobretudo, um assunto bem incômodo para os corporativistas. Não acredito que a UnB, um dia, faça uma reflexão séria, exaustiva, sobre o importante caso daquela gestão universitária, mas ela é fundamental para que compreendamos porque a PARIDADE é um dos mais importantes passos para que esta Universidade de Brasília chegue ao Século Vinte-e-Um, ou a qualquer outro século diferente do passado.Os estudantes colocaram Mulholland em cheque, e viraram uma página obscura da UnB. Agora é a hora da paridade. E a UnB ainda é a mesma UnB de Mulholland, daqueles professores enraivecidos e sem civilidade: incapazes de entender o papel formador da GESTÃO paritária - muito além do singelo procedimento de ELEIÇÃO paritária. Confesso que nada tenho a falar a esses professores: eles são retardatários convictos, e não param de semear seus ideais de privatismo, de corporativismo, de culto a privilégios que não correspondem a desafios.A UnB, que já foi líder das Universidades Públicas no campo das inovações (copiadas por todas as demais), agora não passa de uma Universidade Estacionária, que mal consegue (1) publicar livros didáticos; que não consegue (2) explicar as ações de suas representações no governo federal e no governo distrital; que não consegue sequer (3) fazer um plano político-pedagógico participativo e transformador. Esses três pontos - entre dezenas de outros -, exemplificam o atraso de nossa Universidade - um atraso que as inverdades e distorções freqüentes dos responsáveis por sua Secretaria de Comunicação não conseguem encobrir. PONTO UM: Os livros didáticos que uma boa universidade deveria FRENETICAMENTE produzir, distribuir, utilizar, são, na UnB, de produção caríssima, e de escolha duvidosíssima (e tive um livro escolhido para a publicação recentemente, mas com recursos do próprio Ministério da Educação, e através de uma BANCA EXTERNA, independente). Os estudantes nunca participaram da pauta intelectual da UnB. Afirmo que, por isso, a nossa produção intelectual é esmagadoramente medíocre, desproporcionada aos recursos que capta. Quero os estudantes DENTRO das instâncias que decidem as prioridades da publicação dos livros didáticos que vão beneficiá-los. Afirmo que eles sabem melhor que os professores quais são as melhores, mais efetivas, mas desafiadoras prioridades.PONTO DOIS: As representações da Universidade na sociedade civil não são acompanhadas por nenhuma instância da administração da UnB - na maioria dos casos, nem as unidades acadêmicas que elegem urbanistas para conselhos de urbanismo, médicos para conselhos de saúde, engenheiros para conselhos de transportes, entre centenas de casos, acompanham esses importantes tomadores de decisões, e suas decisões tomadas. Quero os estudantes a acompanhar cada uma dessas instâncias de representação, para aprender com elas, para influenciá-las, para ampliar o debate que os professores, notoriamente, NÃO FAZEM de seus papéis de representantes da Universidade Pública. Os estudantes da UnB devem ser os melhores estudantes do Brasil no campo das políticas públicas de suas áreas de formação, de pesquisa, de extensão. Ou deveriam ser, pois essas oportunidades estão majoritariamente bloqueadas, são subtraídas de seus olhos, de suas experiências.PONTO TRÊS: Finalmente, para o momento, o plano político pedagógico e institucional da UnB é um monumento ao estado de miséria intelectual e política de nossa Universidade: é escapista, é corporativo, é a-crítico, e busca "calar a boca" dos dissidentes", dos que pensam diferente, dos insatisfeitos, dos que querem mudanças. Quero os estudantes a participar da elaboração de um plano político, pedagógico e institucional DE VERDADE, que coloque prioridades desafiadoras, que abra a "caixa-preta" da Universidade - o verdadeiro tesouro desses corporativistas, que, na verdade, têm muito a esconder.Por uma gestão paritária da UnB, mais que apenas uma eleição paritária. Muito mais.

Prof. Frederico Flósculo Pinheiro Barreto - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

Por Prof. Frederico Flósculo

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