Universidade Precariado em greve! Pela universidade pública de qualidade

Precariado em greve! Pela universidade pública de qualidade

12/06/2012 14h11

A greve deflagrada na UnB é parte de um movimento nacional de resistência à precarização da educação. Noam Chomsky, intelectual público e professor, cunhou no Occupy Wall Street a expressão “precariado”, como sendo a classe produtora submetida a um trabalho precário. A greve que ocorre nas universidades federais é a resistência à precarização da educação, na defesa da vida e futuro dos sujeitos imediatamente envolvidos com a educação, com impacto sobre as perspectivas futuras da sociedade como um todo.

A greve, de enormes proporções pela unidade de lutas, pela dimensão, com adesão de praticamente 50 das 59 IES até agora, e pela pluralidade de reivindicações é uma greve nacional com pautas locais, tendo em vista que há especificidades em cada universidade. Na defesa da universidade pública de qualidade, marcham unidos estudantes, professores e técnicos. A greve não é apenas a defesa contra o ataque do capital, com dinheiro retirado do serviço público para os banqueiros, capitalistas e políticos corruptos, onde tudo que se poderia conquistar é um plano de carreira para os professores. O próprio Marx já mostrou que este sindicalismo está a serviço da burguesia. É necessário avançar para outra sociedade. Por isso, estudantes e trabalhadores lutam por conquistas sociais, como cotas raciais para todas as universidades públicas e cotas sociais para a classe pobre.

Os estudantes apoiam os professores porque sabem que sem condições para a educação, sofrem as consequências imediatas da precariedade: excesso de estudantes em salas de aula; professores lhes passam um conhecimento ultrapassado, já que os docentes se tornam apenas reprodutores do que aprenderam no passado, pois não tem condições para pesquisar; falta de professores, com proliferação de “tipos” de professores, precarizando a docência; falta de infraestrutura, salas de aula, restaurantes universitários, laboratórios obsoletos.

Enilton Rodrigues, estudante da UnB, relata: “Na UnB, temos presenciado no dia-a-dia os efeitos da política de reestruturação do ensino superior do governo Lula/Dilma, como a ausência de infraestrutura, total descaso com a assistência estudantil (o Restaurante Universitário-RU da UnB há quase um mês com suas portas fechadas), redução de pesquisa e extensão, prédios inacabados, disciplinas sem professores, salas de aula superlotadas e condições precárias de trabalho dos docentes. Estas são pautas que os estudantes também colocam como sua, além das pautas especificas do movimento estudantil”. Outra importante luta é contra o autoritarismo na universidade, como aponta o Prof. Frederico Flósculo Pinheiro Barreto. Qual ciência e educação se produzem sob o autoritarismo? Saberes e profissionais para servirem ao tipo de sociedade atual (burguesa), e não para construírem outra realidade. A política da educação superior de Lula-Dilma-PT é baseada na expansão precária da universidade pública com o REUNI e recursos desviados para a universidade privada, privatizando a educação e os recursos públicos. A luta das Federais é paralela a um processo de lutas na educação pelo mundo, com greves no Chile, Quebec no Canadá, Espanha, Itália, Wisconsin nos Estados Unidos, quando 185 mil trabalhadores cercaram o Capitólio, e a mobilização chegou a um total de 18 dias. De fato, a maior mobilização foi dos chilenos, na luta contra as bolsas, pela gratuidade da educação e investimentos públicos, quando pararam o sistema educacional do país por praticamente todo 2011 e mobilizaram a classe trabalhadora pela luta em prol da educação.

A resistência do precariado também atingiu a ciência, com o movimento OccupyAcademy contra os conteúdos a serviço da manutenção do sistema capitalista. A luta mundial é uma resposta dos povos ao desmonte do setor público, com corte de direitos sociais conquistados em árdua história de combate pelos trabalhadores. A greve das Federais já dá exemplos, notadamente a UFU e UFOPA. A Universidade Federal de Uberlândia constrói a mobilização a partir da base em assembleias nos cursos e faculdades, com comando de greve dos estudantes e unificando reivindicações do estudantado, docentes e técnicos. Já a Universidade Federal do Oeste do Pará unificou a greve numa luta contra a corrupção na alta administração universitária.

por Marcello Barra, sociólogo, para O MIRACULOSO

Comentários