Universidade Em defesa da Democracia e da Ética na ADUnB e na UnB

Em defesa da Democracia e da Ética na ADUnB e na UnB

29/08/2012 14h11

1. A diretoria da ADUnB boicotou do início ao fim a maior greve da educação federal na história do país e, com toda sorte de ardis, manobras e golpes, trabalhou todos os dias para minar nossa capacidade coletiva de agir em defesa de nossos direitos. Aos olhos dos que foram às assembleias e participaram da greve, fez o serviço do governo e de seu braço sindical – o ProIfes. Um de seus membros, desavergonhadamente, “tuitou” para o Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo (PCdoB), vangloriando-se por ter “encerrado a greve na UnB”. 2. A diretoria da ADUnB valeu-se de sucessivos golpes para encerrar a greve na UnB:

a) Na assembleia do dia 30 de julho, o presidente da ADUnB, Rafael Morgado, interrompeu abruptamente a votação sobre a continuidade da greve quando percebeu que seria derrotada sua proposta de fim da greve; em seguida, sob protestos generalizados, declarou encerrada a assembleia e retirou-se da mesa, descontrolado, gritando que encaminharia a decisão sobre a greve por meio de votação em urna, o que contraria frontalmente a democracia das assembleias, o regimento da ADUnB, o estatuto do ANDES-SN e a história de nosso sindicato. Frustrado em seus intentos, o presidente da ADUnB retirou-se sob vaias da assembleia, que votou por ampla maioria a continuidade da greve. Tudo isso está devidamente registrado e pode ser encontrado na Internet.

b) A diretoria da ADUnB, no dia 16 de agosto, convocou duas assembleias, uma para o dia 17, com pauta única sobre o adiamento das eleições para reitor, e outra para o dia 21, com a pauta sobre a greve. Na primeira delas, convocaram sua base de apoio silenciosamente, pela internet, para chegar no horário de início da assembleia e votar a mudança de pauta e encerrar a greve numa assembleia convocada para deliberar sobre o adiamento das eleições para reitor. A assembleia para deliberar sobre a greve no dia 21 foi cancelada, e a diretoria da ADUnB chegou a imaginar por alguns dias que havia encerrado a greve na UnB.

c) Na segunda-feira, dia 20 de agosto, a UnB amanheceu em greve. O golpe da diretoria da ADUnB foi objeto do mais amplo repúdio dos docentes e da comunidade da UnB. Centenas de docentes e estudantes indignados e indignadas impulsionaram o movimento pela auto-convocação de uma assembleia legal e legitimamente convocada para deliberar sobre a greve. Em poucas horas, reunimos quase 400 assinaturas numa universidade esvaziada. Levamos estas assinaturas à diretoria da ADUnB, que era assim regimentalmente obrigada a convocar a assembleia.

Após ter se recusado a convocá-la por mais de 24 horas, insistindo sobre a pretensa “legalidade jurídica” de sua manobra flagrantemente imoral, a diretoria da ADUnB se viu política e regimentalmente obrigada a convocar a assembleia. Agendou-a, covenientemente, para sexta-feira, dia 24 de agosto. No fim desta assembleia, após anunciarem um quorum de 870 docentes aptos a votar e de terem sido contabilizados 445 votos pela continuidade da greve (mais de 50% dos presentes, portanto, com vinte votos de diferença), quando estava claro que seria mais uma vez derrotada, a diretoria da ADUnB e sua base de apoio excutaram aos olhos de todos seu último golpe: vários docentes deslocaram-se durante a votação com o objetivo de votarem mais de uma vez, e uma das diretoras da ADUnB começou a distribuir cartões de votação, inchando o número de cartões nas fileiras de trás e alterando fraudulentamente, aos olhos de todos, o resultado final da votação. Sob protestos indignados dos que exigiam a recontagem dos votos, a diretoria da ADUnB declarou encerrada a assembleia e sua base de apoio dispersou-se rapidamente, chegando alguns deles a congratularem-se publicamente entre si por terem votado várias vezes, cinicamente, aos olhos dos colegas golpeados. Ficou em todos nós a sensação de que a única reação possível àquela violência moral era a violência física. Vivíamos ali uma autêntica – e assustadora - experiência fascista, que não sairá da memória dos que a sofremos.

3. A diretoria da ADUnB desrespeita sistematicamente a assembleia dos docentes da UnB, o regimento de nossa seção sindical e os estatutos do ANDES-SN. Durante toda a greve, buscou submeteu a sua tutela autoritária tanto a assembleia como o comando local de greve. Liquidou o Conselho de Representantes da ADUnB, omitiu dados para sonegar recursos estatutariamente destinados ao ANDES Sindicato Nacional e não se digna sequer a prestar contas de seus atos e gastos. Para todos efeitos, a diretoria da ADUnB estabeleceu uma ditadura da diretoria executiva sobre a assembleia, o regimento e o conjunto da categoria, manipulando enquetes e pesquisas de telemarketing sem nenhuma confiabilidade para “legitimar” suas posições e reservando para si a prerrogativa autocrática de deliberar sobre questões de interesse geral, que deveriam ser democraticamente submetidas à assembleia geral dos docentes da UnB, órgão máximo de nossa democracia sindical, conforme prevê o regimento da ADUnB.

4. A diretoria da ADUnB tem muitas dificuldades em admitir a livre circulação da informação e a liberdade de expressão. Várias vezes praticou censura sobre textos de docentes que não se coadunavam com seus interesses e opiniões particulares, reservando-se sempre a prerrogativa autoritária de aprová-los antes de sua publicação. Chegou ao cúmulo de mutilar um texto publicado pelo Comando Local de Greve. Sistematicamente cerceou a livre comunicação entre o nosso Sindicato Nacional e os docentes da UnB, com o objetivo de apostar na desinformação, isolar-nos de nosso Sindicato Nacional e boicotar as lutas do movimento docente em defesa da valorização do trabalho e da educação pública.

5. A diretoria da ADUnB revelou-se abertamente hostil a todos os movimentos por direitos. Boicotou durante quatro anos todas as greves, campanhas e movimentos liderados pelo ANDES-SN e seus aliados históricos em defesa da educação pública e da valorização do trabalho docente. Mostrou-se sempre hostil aos estudantes, aos sindicatos, aos movimentos sociais, às lutas da classe trabalhadora, da juventude e do povo pobre. Valendo-se de dois pesos e duas medidas, buscou mais de uma vez criminalizar politicamente ex-dirigentes históricos da ADUnB e do ANDES-SN, enquanto jamais economizou esforços para reabilitar publicamente ex-integrantes de reitorias da UnB e de fundações privadas que tiveram de responder em juízo por graves denúncias de corrupção generalizada.

6. A diretoria da ADUnB e sua base de apoio tem utilizado nossa seção sindical, desde que a assumiram, como plataforma de poder para retornarem à reitoria depois que a administração Timothy foi derrubada em 2008 em meio a graves denúncias de corrupção generalizada. Os indignados e indignadas da UnB não aceitamos que nossa seção sindical continue a ser inescrupulosamente reduzida a vil condição de instrumento político de um grupo em sua luta pelo poder. O sindicato não é deles. É de todos nós e serve para lutarmos democrática e coletivamente pelos direitos de todos nós.

7. Por tudo isso, a diretoria da ADUnB não reúne mais as mínimas condições morais e políticas para permanecer à frente de nossa seção sindical. É hora de declarar, em alto e bom som, a todo o país, que a ADUnB não são eles, que a UnB não são eles. Brasília, 27 de agosto de 2012.

por Rodrigo Dantas, professor de filosofia política na UnB, ex-presidente da ADUnB (2004-06) e ex-vice-presidente do ANDES-SN (2008-10) - para O MIRACULOSO

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